Rumo à Glória Eterna: tudo sobre a Copa Libertadores

Tabela de Conteúdo

  1. Rumo à Glória Eterna: tudo sobre a Copa Libertadores
  2. Palmeiras vs Flamengo: em busca da glória eterna
  3. Como apostar na maior Copa das Américas

A história completa da Copa Libertadores

A Copa Conmebol Libertadores é um dos maiores campeonatos de clubes de todo o mundo. Foram mais de sessenta anos para adquirir o status atual, numa história composta por batalhas épicas entre grandes equipes, rivalidades acirradas e conquistas gloriosas protagonizadas por grandes heróis – exatamente como os Libertadores que dão o nome à competição.

Pausa histórico-cultural: os Libertadores da América homenageados são personalidades que lutaram pela independência de seus países, tais como (mas não somente) José Artigas, Simón Bolívar, José de San Martín, D. Pedro I do Brasil, Antonio José de Sucre e Bernardo O’Higgins. Que já viajou pela América do Sul viu estes nomes em avenidas, monumentos… e times de futebol!

Para entender melhor qual é a história da Copa Libertadores da América, vamos dividi-la em períodos. O primeiro começou em 1960, quando a Conmebol criou oficialmente a Copa dos Campeões da América, uma disputa entre os campeões nacionais dos países latino-americanos. O torneio teve apenas sete times, com o Peñarol sagrando-se campeão. O modelo se repetiu nos anos seguintes, e quando Santos de Pelé entrou na briga – e ganhou o bicampeonato (62-63) – os holofotes do mundo inteiro começaram a acompanhar o evento. Em 1965, foi adotado o nome atual, e a competição se estabeleceu definitivamente no calendário do futebol da América do Sul.

O segundo momento aconteceu nos anos 70, e foi amplamente dominado pelos times argentinos. Nessa época já participavam o campeão e o vice de cada país, mas, no Brasil, ainda não havia o frenesi de hoje, e muitas vezes os times nacionais encaravam a competição mais como estorvo do que honra. Melhor para o Independiente, que abocanhou quatro títulos em sequência e, com outros três triunfos, tornou-se o maior vencedor da competição até hoje. Essa época também marcou o surgimento de um dos mitos entre as equipes da Copa Libertadores – o Boca Juniors, que ganhou seu primeiro título em 1977, e cravou um bi em 78. Nessa década, o único título brasileiro foi com o Cruzeiro, em 76.

Mas então chegamos aos anos 80, e os brasileiros acordaram para a importância da Libertadores. A virada na chave se deu com o time do Flamengo, campeão em 81 com uma esquadra icônica que tinha Zico, Junior, Claudio Adão, Carpegiani… A essa altura, a Toyota patrocinava o evento e promovia um jogo entre o ganhador da Uefa Champions League contra o campeão da Libertadores, uma disputa que mais tarde seria reconhecida pela FIFA como equivalente ao título mundial de clubes. O Flamengo detonou o Liverpool com um belíssimo futebol, e catapultou uma rivalidade entre continentes, celebrada por décadas a cada dezembro, no Japão. Apesar do crescente interesse, o Brasil só conseguiu mais um caneco nos dez anos seguintes – com o Grêmio, em 85.

Mas nos anos 90, a maré virou. O São Paulo de Telê Santana venceu duas edições seguidas – e os subsequentes campeonatos mundiais – e logo todos os clubes do Brasil queriam alcançar a Glória Eterna. O Grêmio conseguiu em 95. O Cruzeiro em 97. O Vasco em 98. E o Palmeiras em 99. Parecia que o Brasil viraria o jogo para cima da Argentina, até então a maior papa-títulos da competição.

Porém, no início dos anos 2000, os hermanos contra-atacaram, e as disputas ficaram ferrenhas. O Boca Juniors e o River Plate se estabeleceram como potências platinas, enquanto no Brasil novos protagonistas surgiam, alguns com sucesso – como o Internacional de 2006 e 2010 – outros nem tanto, como São Caetano e Athlético Paranaense.

Nos últimos tempos, a Libertadores vem vivendo sua fase de maior importância, seja pelo prestígio acumulado por décadas, pelos prêmios milionários, ou ainda pela projeção que traz para os jogadores e seus clubes.  No Brasil, é a competição mais importante da temporada, e justifica até mesmo negligenciar o campeonato nacional, em caso de calendário apertado. E o país vem fazendo bonito, com seis times diferentes levantando a taça na última década. Ao todo são dez times brasileiros que já ganharam a Libertadores pelo menos uma vez – a maior diversidade do continente. Em número de títulos, porém, a Argentina ainda está na frente:  25 a 21. Mas a diferença vai cair até o fim do ano, já que os dois finalistas de 2021 são brasileiros.

Os melhores times da história da Copa Libertadores

É sempre difícil eleger os melhores times de qualquer campeonato, ainda mais quando se trata de um jogo como o futebol – apaixonante e imprevisível. E nem sempre o melhor time vence, uma faceta cruel do jogo, que vitimou esquadras fantásticas como a Holanda de 74 e o Brasil de 82. Felizmente, com o passar dos anos as paixões sossegam, e resta apenas a lembranças dos bons momentos.

Entre todos os campeões da Copa Libertadores, não se pode deixar de mencionar o Santos de Pelé, bicampeão nos anos 60; O já comentado Flamengo de Zico, em 81; o São Paulo de Zetti, Muller e Raí, no início dos anos 90. O Grêmio, que conquistou três títulos em três momentos diferentes, provando sua vocação copeira; e mais recentemente o Flamengo de Jorge Jesus, com o time que jogava por música e conquistou uma virada épica no jogo final.

Dentre os estrangeiros, River Plate, com quatro conquistas – a maioria recente – e o Boca Juniors, com seis triunfos bem espalhados, não deixam dúvidas do poderio argentino que, eventualmente, ainda conta com coadjuvantes notadamente incômodos para os adversários. E não se pode ignorar o Independiente e seus sete títulos – ainda que conquistados há mais de trinta anos.

Nacional e Peñarol são os maiores vencedores do Uruguai, com conquistas tipicamente raçudas nas primeiras décadas do campeonato. Mas já há um bom tempo que não incomodam tanto, ficando para times colombianos o papel de possível surpresa de cada edição.

Os melhores jogos da história da Copa Libertadores

Novamente estamos no terreno das emoções, e cada torcedor vai dizer que o maior jogo foi o do seu time. Mas alguns foram tão espetaculares que nem mesmo o mais fanático fã poderá discordar.

  • Palmeiras x Corinthians, 2000 – A gigantesca rivalidade paulista tomou ares de drama na semifinal da Libertadores de 2000. Após perder o primeiro jogo, o Palmeiras arrancou uma vitória de virada na segunda partida e a decisão foi para os pênaltis. Na última cobrança, o jovem goleiro Marcos defendeu o chute do ídolo alvinegro Marcelinho Carioca.
  • Corinthians x Vasco, 2012 – Na disputa das quartas de final da Copa Libertadores, o segundo jogo entre as equipes, no Pacaembu, estava 0 x 0 quando Diego Souza partiu livre e ficou cara a cara com Cássio, goleiro corintiano. Um gol do Vasco praticamente mataria o jogo, já que obrigaria o Timão a conseguir uma virada improvável àquela altura. Inexplicavelmente, Souza perdeu o gol, o Corinthians marcou aos 43 do segundo tempo e avançou.
  • Atlético MG x Tjuana, 2013 – E o que se pode dizer de uma defesa de pênalti aos 48 minutos do segundo tempo? Foi o que fez o goleiro Victor, ao Atlético, no lance considerado por muitos o mais emocionante de toda a história da Libertadores. A defesa valeu a classificação do time, que ganhou o campeonato naquele ano – nos pênaltis.
  • Boca Juniors x River Plate, 2018 – Na primeira vez que dois argentinos decidiram a Libertadores, quase que não houve final. Um incidente de violência fora do estádio adiou o último jogo que, por conta das animosidades, acabou sendo disputado na Espanha! No final, o River ganhou a segunda partida, mas apenas na prorrogação.
  • Flamengo x River Plate, 2019 – A primeira edição com final em jogo único foi absolutamente épica. De um lado, o Flamengo de Jorge Jesus, que vinha encantando e atropelando adversários; do outro, o River de Marcelo Gallardo, vencedor do ano anterior. Até os 40 minutos do segundo tempo, os argentinos levavam a melhor por um gol. Mas em menos de cinco minutos, os rubro-negros viraram o jogo e enlouqueceram seus torcedores em Lima.
  • Palmeiras x River Plate, 2020 – Os jogos das semifinais do Verdão contra o River na Libertadores de 2020 foram uma gangorra de emoções. Na primeira partida, na Argentina, um chocolate alviverde e uma vantagem de 3 x 0. O que parecia ser uma classificação garantida virou um pesadelo em São Paulo, com um River dominante e vencendo por 2 x 0 em menos de 45 minutos, e dando pinta de que passaria o rolo compressor. O segundo tempo teve gol anulado por impedimento minúsculo, pênalti dado e retirado e muito, muito sofrimento. No final, o Palmeiras passou sufoco, mas também passou para a final, na qual venceu o Santos com um gol no finalzinho.

Copa Libertadores da América 2021

Os times

A edição de 2021 da Conmebol Libertadores trouxe os grandes times dos principais países, muitos deles ex-campeões – do Brasil, Flamengo, São Paulo, Atlético Mineiro, Grêmio, Internacional e Santos além do campeão atual, Palmeiras.  Da Argentina, River, Boca, Racing; LDU, do Equador, Olímpia, do Paraguai, Nacional, do Uruguai e Atlético Nacional, da Colômbia. Além deles, algumas equipes que poderiam surpreender como o Fluminense, o Barcelona de Guayaquil e o Junior Barranquilla da Colômbia. E várias outras menos expressivas, especialmente do Peru, da Bolívia e da Venezuela que, como esperado, não se tornaram um novo Once Caldas e ficaram pelo caminho na fase de grupos.

Fase prévia e fase de grupos

Talvez a grande surpresa da fase prévia tenha sido a eliminação do Grêmio de Renato Portaluppi, uma equipe que colecionava bons resultados nos jogos da Libertadores, mas que caiu diante do colombiano Independiente del Valle
Após as seis rodadas da fase de grupos, a surpresa foi ver três gigantes – São Paulo, River e Boca – se classificando apenas em segundo lugar de seus grupos. E a decepção foi o Santos que, apesar de uma tabela acessível, perdeu jogos em casa e ficou de fora do mata-mata.

No sorteio das quartas, o Flamengo ficou do lado mais suave da chave, no qual a única grande ameaça era ao eterno rival Fluminense que, contudo, parou na fase de quartas, perdendo para a surpresa Barcelona de Guayaquil. Os equatorianos, porém, não foram páreo para Gabigol e companhia, e o Flamengo avançou para a final com duas vitórias sólidas.

Do outro lado da chave, foram várias brigas de cachorros grandes. De cara, o Atlético Mineiro precisou passar pelo Boca Juniors, e só conseguiu isso nos pênaltis. Em seguida, bateu de frente com outra pedreira, o River Plate, e desta vez venceu as duas partidas com autoridade. Ficou esperando o adversário do embate entre Palmeiras, que nas oitavas despachou o Universidad Católica, e São Paulo, que eliminou o chatinho Racing. No duelo de paulistas, o Verdão levou a melhor, com direito a um 3 x 0 no jogo de volta. A semifinal foi duríssima, com um empate sem gols em São Paulo e um dramático 1 x 1 em Minas, que foi o suficiente para o time de verde chegar à segunda final de Libertadores consecutiva.

A final

Se você não sabe qual é o dia da final da Copa Libertadores, marque aí: 27 de novembro em Montevidéu, no Uruguai. Em mais uma final brasileira, Palmeiras e Flamengo vão decidir qual deles conquistará seu terceiro título continental, e carimbará o passaporte para o mundial de clubes da FIFA.

Depois de alguns meses conturbados, o Flamengo se acertou com Renato Gaúcho no comando, e vem enfileirando vitórias expressivas, em geral marcando muitos gols. Porém, vai enfrentar um time que costuma se defender bem, e contra-ataca muito rapidamente. Se retrospecto valesse algo, o Flamengo já seria campeão porque não perde para o Palmeiras há dez jogos. Mas entre ganhar e perder há o empate, e a chance de uma imprevisível disputa por pênaltis…

Será que o Flamengo vai fazer prevalecer sua categoria e levar a taça? Ou o time de Abel Ferreira trará alguma surpresa tática, como já fez no passado? Se o rubro-negro tem um centroavante de seleção, o alviverde tem um goleiro igualmente convocado. As torcidas serão um fator? Se for para a prorrogação, quem tem melhor preparo físico? E as contusões de fim de temporada? São muitas perguntas, e apenas 90 minutos para respondê-las. Mas uma coisa é certa: depois do apito final, um dos dois times terá alcançado a glória eterna.